Home African Hip Hop Luanda está a mexer! Hip Hop Underground em Angola

Luanda está a mexer! Hip Hop Underground em Angola

Print
Article Index
Luanda está a mexer! Hip Hop Underground em Angola
Mc Kapa, o rapper formador de consciências
Música de intervenção
A poesia da língua
All Pages
Ecos da Banda Ecos da Banda

Hip Hop brought conscience for social topics that have been disregarded by mainstream Angolan artists. The underground rappers diagnose the contradictions of the Angolan society with their poetic-politic desire to grow up in a country, where freedom and justice is possible. It is the popular culture of a youth correcting and questioning the destiny of the Angolan nation. In this article we can read about some MC'S who gave a name to this movement.
(Abstract in English, article in Portuguese)

First published in Público, 06.07.2007

O hip hop trouxe consciência social e temáticas que andavam esquecidas no meio artístico angolano. Os rappers underground diagnosticam as contradições da sociedade angolana na vontade poético-política de crescer num país onde a liberdade e a justiça sejam possíveis. É uma cultura popular onde a juventude se revê e se questiona os destinos da nação. Ouvimos alguns mc’s que dão nome ao movimento.

A acção decorre na Luanda da década 2000, após uma guerra civil iniciada antes de uma independência que não dispensou as armas, com um poeta à frente da República. Imaginem rapazes numa Luanda do socialismo na infância, da guerra e deriva na adolescência e da descoberta artística no presente. Crescidos na cidade dinâmica que exige todas as energias e oferece algumas frustrações, degenerando em sonhos rasteiros. Os novos artistas angolanos têm coisas para dizer sobre o que se está a passar e, sobretudo, sobre o que demora a acontecer. “Há muito que os observo, esses, os do rap que se movem e se orgulham do seu rap underground que mais do que criticar, reflecte e procura questionar” escreveu Ondjaki nas cartas a Ana Paula Tavares no JL.

Mc Kapa, Kheita Mayanda, Phai Grande, Leonardo Wawuti, Flagelo Urbano, Condutor e Ikonoklasta são alguns nomes desta corrente de resistência feita de “soldados da paz” e “trincheiras de ideias” que traduz as preocupações da nova geração que habita no centro e na periferia de uma cidade globalizada, e lembra, nas palavras de Mc Kapa estampadas em centenas de t-shirts que desfilam por Luanda, que “o país não tem dono, Angola é de todos nós”.

A crítica destes rappers destina-se, antes de mais, a alertar as consciências, sobretudo dos jovens, tantos que eles são. É o hip hop underground, convictamente demarcado do hip hop comercial, agressivo, consumista e misógino, exaltador de valores alheios à realidade angolana numa quase tradução das letras de rappers americanos. Entenda-se underground como uma filosofia, a postura do artista em relação ao mercado e ao seu público, o hip hop que “o grande público desconhece, de artistas cuja primeira preocupação é comunicar as suas ideias” diz Kheita Mayanda.