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Um encontro com Aliu Barri

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Um encontro com Aliu Barri
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Cobiana Jazz
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“Voz de Cabo Verde” com Luís Morais e Bana.
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Endereço físico (não postal!)
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O que é uma “mandjuandade”? Por exemplo: num bairro junta-se toda esta comunidade da juventude para, nos domingos, organizarem festas. Organizarem convívios. Se houver um casamento vão animar o casamento, se houver alguma cerimónia tradicional eles vão lá e cantam, se houver choro alguém morreu, cotizam, tiram o dinheiro, arranjam tudo que é necessário. Vão ficar lá por uma semana a animar a família do defunto. Então isso disse “mandjuandade”: arranjam até trazes quando houver um funeral. Há tipos de roupas que eles devem vestir, se for um casamento. Há tipos de roupas que eles devem vestir, se for o “fanado” [ritual de iniciação cultural, circuncisão]. Há roupas que eles devem vestir, qualquer tipo de manifestação eles vão. Mas entre eles há pessoas que cantam e tocam. É como rancho folclórico. Sei que em qualquer vila, agrupam-se homens e mulheres, fazem festas nos tempos livres. É isso que nós dizemos “mandjuandade”. Cada “mandjuandade” tem um cantante, dois cantantes, tantos rapazes como raparigas para animar as suas manifestações. Tradicionalmente, “mandjuandade” é uma coisa que não para. Existe em todos os bairros da cidade. Nas “tabancas” [aldeias] também organiza-se. Isso é que se chama “madjuandade”. Há pessoas que se destacam nessas “mandjuandades”, ganham muita fama, é isso é que nós dizemos “mandjuandade”. São manifestações culturais que existem em cada etnia. Mas agora, com o aparecimento do crioulo, criou-se uma organização parecido, mas com outras características. Com a evolução as coisas estão mudadas, são transferências de manifestações culturais que existem tradicionalmente, que estão a passar agora para o ambiente de hoje. Porque a “mandjuandade” tem muitas festas.

Anteriormente, um jovem quando atinge 20, 21 anos, fez-se festa de dizer “rianta calça”: vestir calça comprida. Porque um jovem até aos 20 anos utilizava só calções. Quando descer a calça até a baixo já tinha outra responsabilidade. Fazia-se esta festa. Quando o indígena passa para civilizado [até 1961 existiam na Guiné Portuguesa segundo a lei “indígenas” – cerca 99% da população da colónia – e “civilizados” com plenos direitos de cidadão] também fazia-se a festa. Quando é fanado fazia-se a festa. Há muitas festas que a “mandjuandade” faz. Mas se for um país progressista, um país que está a andar bem, “mandjundades” teriam possibilidades de apresentar toda a nossa cultura tradicional. Porque os tradicionalistas, os folclores nativos lá têm dificuldade de manifestar aquilo que eles têm. Mas como a “mandjuandade” está composta de várias etnias cada qual faz a apresentação da sua etnia, com isso e apreciando a “mandjuandade” vai conhecendo a manifestação de todas as culturas da Guiné. Eles cantam, canções de todas as etnias, porque a composição da “mandjuandade” tem todas as raças [etnias].