Falava crioulo, aprendeu tocar todas as suas músicas em crioulo. Daí como eu queria cantar crioulo, gostava muito das suas canções. Tentava interpretá-las. Mas ao interpretar essa música, criei a minha, as minhas letras e cantei uma das melodias suas que é “Badjuda di saia curtu”. Daí é que comecei a tocar, toquei muitas músicas. Essa música de “badjuda di saia curtu“ como se chama mesmo está constado no disco, é uma “morna”. “Morna” é uma forma de caracterizar um certo tipo de músicas de Cabo Verde. Há “mornas”, tem também “coladeiras”. Foi daí que comecei a tocar e cantar alguma coisa e eu aprendi a tocar desta maneira. Nunca aceitei assimilar as canções apesar de nessa altura já cantava músicas da República da Guiné [Guiné-Conakri]. Quando eu quisesse sozinho, cantava as músicas da República da Guiné. Mas ao tocar, não emitia nada da República da Guiné. Tentava cantar uma coisa diferente como a que da República da Guiné. Nunca tentei emitar as minhas canções com as músicas de Angola ou músicas de Roberto Carlos [de Angola], porque conhecia muitas músicas da Guiné. Mesmo em actividade, teria que levar muitos anos para interpretar todas as músicas da Guiné. São muitas músicas em crioulo, em fula, em mandinga, em balanta, em beafada. Ha muitas músicas que eu conheço e sei interpretar. Então, não dava para estar ainda a buscar outras músicas estrangeiras. São músicas que eu cantava mesmo com gosto, pouco mais ou menos. Assim que eu conheci a música, as, a minha influência foi – quer dizer – as minhas músicas foram radicais, não têm influência de Senegal, nem da Gambia, nem da República da Guiné. Foi música mesmo da Guiné que nunca foi cantada assim e também depois da morte de José Carlos.
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