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Um encontro com Aliu Barri

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Um encontro com Aliu Barri
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Cobiana Jazz
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“Voz de Cabo Verde” com Luís Morais e Bana.
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Endereço físico (não postal!)
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Antes da independência em 1974 julguei sempre com o nível de avanço que tinha a Guiné-Bissau nessa altura. Se tivéssemos independência, dentro de dez ou quinze anos a Guiné-Bissau seria uma outra coisa. Esse sonho ficou fincado na minha memória até os anos de 1980. A partir de 1990 notei que esse sonho fracassou. Logo pensei em alternativas. Tinha pensado em duas coisas. Qualquer dos dois que eu tivesse enfrentado e seria bom para mim. Porque em princípio pensei ir radicar em Portugal, continuar fazer música. Mas como tenho família filhos, minha mãe, pensei que seria melhor eu estar aqui na Guiné. Então daí é que pensei abrir aquela ponta [uma plantação] onde fiquei até agora. Com certeza se eu tivesse ido a Portugal, trabalhar na música, poderia fazer melhor do que tenho feito até este momento. Porque a música é meu dom. Eu sei fazer música, mas eu não sei fazer música forçada. Sim eu canto com emoção. Quem canta com emoção, quando não tenho gosto de cantar, não pode mesmo querendo cantar a voz. Não sai, não, não quer dizer a minha acção em cantar não depende de mim. Depende do momento. Se tiver emoção, canto bem. Mas quando não há motivos, mesmo querendo cantar, não sinto aquela vontade por isso. Agora não canto desde 1980. Deixei de cantar até aqui, gravei este único CD [intitulado: “Tributo ao Cobiana Djazz Nacional” , Editora “Sons d’África”, Lisboa 1998].

Fui fazer tratamento [medicinal] em Dezembro de 1997 [em Lisboa] e tinha que voltar no fim de Junho de 1998 [a Bissau]. A guerra deu-se em 7 de Junho [a guerra civil bissau-guineense, chamada “conflito militar”, começou em 7 de Junho de 1998 e terminou em 11 de Maio de 1999]. Já não podia voltar. Então os meus custos, quer dizer que não tinha já para gastar, tinha que fazer alguma coisa. Fiz a música porque a coisa que eu podia fazer era isso. Tive um financiamento e gravei. Se não fosse esta situação, talvez até hoje não faria nada. Eu quero gravar porque a minha vontade é gravar. Toda a minha música. Para não ficar a perder – mesmo que eu não faço sucesso com essa música. A geração vindoura poderá cantá-la.

Mas como não tenho meios isto preocupa-me muito. Eu tenho muita vontade de gravar, tenho mais de 80 músicas. A minha música é história, fala da situação política, fala do que se devia fazer, fala das coisas más, também das coisas boas, fala da nossa cultura. Neste momento achei que não vale a pena estar a fazer música sem esperança de um dia poder gravá-la. Por isso, quando fui a Portugal, comprei um estúdio. Tenho aqui [na minha casa] um estúdio. Mas para gravar preciso de dinheiro. Não é um estúdio de qualidade mas é um estúdio de oito pistas. Posso gravar por pistas. Mas para eu gravar é preciso dar os artistas, pagar artistas para me acompanharem. Eu sei tocar o meu ritmo e cantar, mas as partes de orquestração, eu precisarei de colaboração de outros pessoas para fazer uma gravação a meu gosto. Sim, apesar de muito tempo que eu não tenha gravado, a qualquer altura, eu canto as minhas músicas de cor. Não é preciso estar a ensaiar, eu ensaio – mas as pessoas que vão cantar comigo. Eu a qualquer altura, canto as minhas canções sem dificuldades, qualquer delas.