Eu, Aliu Barri nasci no bairro de Cupelum de Baixo, onde estou a falar. Estou com 59 anos de idade, e comecei a tocar desde o ano de 1967/68. Mas antes de tocar a viola já desde novo tinha muita influência, porque tenho boa voz. As pessoas gostavam de ouvir me cantar. Então surgiu essa ideia de tocar viola e fiquei entusiasmado, comprei uma guitarra velha naquela altura. Não havia nenhum jovem, da zona urbana, que sabia tocar. Mas por minha insistência, eu afinava-me viola conforme, risos, queria cantar. Não conhecia nem “lamiré” [um instrumenta de música], nem “doré mi fa si lá si” [acordes, letras duma instrumenta de cordas], mas afinava da minha maneira. Cantava algumas músicas até que um dia encontrei um “djidiu” [um músico dita tradicional da etnia dos Mandingas] que toca violas e canta.
Então, aproveitei com a sua estadia aqui em Bissau, conhecer afinação de viola e algumas músicas tocadas, conforme as tradições de “djidius” daí. Comecei a aprender, mas aquela forma não dava para fazer acordes e não tinha nada a ver com a forma de tocar clássica e nem conhecia nome das cordas, até que conheci um cabo-verdiano de nome Juca que agora, que até agora está aqui que me ensinou a tocar. Daí comecei a conhecer as notas “dó ré mi fá si lá si”, isso foi no ano de 1968. Estive com ele muito tempo. Aprendi algumas coisas. Mais tarde conheci um colega meu e filho de pais cabo-verdianos, que se chama Armindo Fonseca. Com este comecei a tocar músicas angolanas, músicas de Roberto Carlos, músicas de Cabo Verde. Eu tocava aquelas músicas somente para poder estar com eles, para poder aprender forma de tocar, mas não tinha nenhum gosto em tocar aquelas músicas porque o meu orgulho era tocar a música da Guiné-Bissau, que nunca tínhamos ouvido a tocar. Mas acontece quando aprendi a tocar.
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